" Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza, a palavra no muro ficou coberta de tinta" -Gentileza, Marisa Monte
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Entre a ficção e a realidade, o minidocumentário Vidas Cinzas - ou como é descrito em sua sinopse "falso documentário" - faz um recorte curioso sobre o Brasil. Dirigido por Leonardo Martinelli e com a equipe composta por Jéssica Paola e Pedro de Aquino, o curta teve sua estreia em 2017. Recentemente a obra chegou ao Youtube por meio do canal Meteoro Brasil, que realizou também um bate-papo com o diretor.
No enredo, o cenário é de tensão. Uma decisão política cortou todas as cores do Rio de Janeiro e agora a cidade está cinza, sem vida. Figuras políticas, famosos, pessoas comuns e um jornalista se posicionam contra tal atitude - com exceções -, enquanto a população faz isto nas ruas, perseguida pela polícia do Estado.
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| PÔSTER DO FILME |
O filme apresenta uma proposta diferente ao misturar elementos da realidade com uma história fictícia, caracterizando-se como pseudodocumentário. Durante o curta alguns detalhes passam gradativamente a sensação de que a história é muito real. Dessa forma, o telespectador fica à mercê de uma resposta que talvez não exista, cabendo a ele uma interpretação individual.
Entretanto, mesmo com esse sentimento de confusão, o documentário consegue envolver a pessoa na história dando-lhe um banquete de metáforas, fazendo alusão à crise política, econômica e social do país.
Desde a participação de Wagner Moura e Flávio Bolsonaro a trechos de manifestações narrados em francês, o filme aborda elementos da cidade maravilhosa, como o carnaval e a paisagem, levantando de bônus - ou não - uma reflexão sobre o turismo brasileiro.
É, não teriam outras palavras para descrever a produção a não ser originalidade e criatividade. Uma obra instigante, e pasmem: realizada de modo independente. Vidas Cinzas é ficção, mas talvez seja uma ficção mais próxima da realidade do que imaginemos.
Quer assistir?! Chega no canal do Meteoro Brasil ⭐ ( ao clicar você é enviado ao vídeo)
PRODUÇÕES SEMELHANTES: Copacabana Madureira
No livro "Cova 312" a jornalista Daniela Arbex narra com muita emoção e singularidade uma época fria do país, a Ditadura Militar. A história contada dessa vez é a de Milton Soares, o guerrilheiro gaúcho vítima do regime.
Após a luta contra o regime, seguida de prisão e tortura, o gaúcho chegou a óbito. A investigação da jornalista aponta a estranheza na morte de Milton, cujo fim haveria sido suicídio segundo as documentações. Através do trabalho árduo, Daniela trouxe à tona os verdadeiros fatos: o guerrilheiro teve a morte forjada para esconder a crueldade ilimitada dos ditadores do Brasil.
Enquanto as fotos do corpo e o atestado de óbito apontavam a farsa, as novas investigações comprovavam os erros. Um dos peritos do caso declarou à jornalista sobre a classificação dos documentos: " Eu não concluiria como suicídio. Nunca. Nunca. Nunca." - na época, Luzmar Valentim não visitou o local.
Mas o que faz o livro carregar este nome é justamente o destino do corpo de Milton Soares depois do assassinato (considerado agora como enforcamento evidente). Depois de anos sem saber onde estava o corpo do militante, num misto de reações, a família tomou conhecimento que o parente foi enterrado na cova rasa, de numero 312, com mais 7 pessoas.
Hoje e sempre, a Ditadura não deve cair em esquecimento, mas deve ser lembrada para nunca mais ser repetida. MILTON e os companheiros lutaram por liberdade e como expressão de agradecimento devemos continuar a lutar.
Nos tempos de Brizola, Lamarca e Marighella, Milton foi mais um entre tantos outros que buscavam um Brasil vestido de democracia, impedido pelos militares. Esse caso é um dos exemplos que apontam ter sido a fase, rodeada de obstáculos, desenhando até hoje o cenário de quem segue o dever investigando os tempos mais sombrios do Brasil.
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| FOTO: HENRIQUE VIARD |
Enquanto as fotos do corpo e o atestado de óbito apontavam a farsa, as novas investigações comprovavam os erros. Um dos peritos do caso declarou à jornalista sobre a classificação dos documentos: " Eu não concluiria como suicídio. Nunca. Nunca. Nunca." - na época, Luzmar Valentim não visitou o local.
Mas o que faz o livro carregar este nome é justamente o destino do corpo de Milton Soares depois do assassinato (considerado agora como enforcamento evidente). Depois de anos sem saber onde estava o corpo do militante, num misto de reações, a família tomou conhecimento que o parente foi enterrado na cova rasa, de numero 312, com mais 7 pessoas.
" Obrigado. Nós esperamos por 35 anos." - Edelson, irmão de MiltonA narrativa é carregada de detalhes magníficos, da vivência e resistência dos militantes e de como a comunicação entre eles fazia a força. Em celas divididas, homens e mulheres cantavam se complementando. Quando alguém ia embora cantavam Milton Nascimento desejando sorte ao companheiro. Por fim, o gesto mais bonito em meio aos hinos revolucionários: entoavam os nomes dos que estavam ausentes, seguidos da palavra "presente".
Hoje e sempre, a Ditadura não deve cair em esquecimento, mas deve ser lembrada para nunca mais ser repetida. MILTON e os companheiros lutaram por liberdade e como expressão de agradecimento devemos continuar a lutar.
" - MILTON SOARES DE CASTRO
- PRESENTE! " - Daniela Arbex em Cova 312 - a longa jornada de uma repórter para descobrir o destino de um guerrilheiro, derrubar uma farsa e mudar um capítulo da história do Brasil.
A situação dos vínculos empregatícios na era digital, com Francisco Thainan
A música de Chico Buarque esboça a relação dos trabalhadores com o meio em que estão inseridos, na qual o lucro é o mantra. Com a tecnologia em outro patamar o quadro de exploração se acentua dia após dia, modificando as relações no novo século e apresentando a precarização do trabalho.
“Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego” - Construção
Os avanços tecnológicos caminham numa linha tênue de benefícios e malefícios, agregando algumas problemáticas aos prestadores de serviço. Quando facilita a execução dos trabalhos de modo mais rápido para quem consome, a internet traz consigo a desregulamentação aos trabalhadores, como é o exemplo dos principais aplicativos de serviço: iFood, Uber e entre outros.
Diante das baixas perspectivas de emprego no Brasil, as pessoas dirigem-se ao trabalho informal, oferecido nessas plataformas digitais. A pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, denota que nos últimos anos as empresas citadas passaram a dominar a oferta de trabalho: aproximadamente 4 milhões – segundo a CartaCapital -, o que alguns acadêmicos chamam de fenômeno da Uberização.
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| CARTA CAPITAL |
No curso ministrado para a TV Boitempo, o sociólogo Ricardo Antunes, autor do livro O privilégio da Servidão, afirma que existe um novo proletariado na Era digital, construindo ao longo do tempo um perfil de trabalhador intermitente – que atua conforme relações de demanda -, desprovido de perspectivas de futuro.
Não obstante, a Reforma Trabalhista aprovada em 2017 no governo Temer só acentuou a gravidade do contexto. Para Francisco Thainan, economista pela PUC-SP, o Brasil necessitava de uma mudança. Todavia, em alguns artigos específicos a Reforma Trabalhista caminhou realmente para a Uberização da Economia: eles legalizaram aspectos presentes nos aplicativos- como o trabalho intermitente, que antes não existia no vínculo empregatício brasileiro. Hoje, a maioria do saldo de trabalhos gerados estão nessa categoria, afirma ele. Logo, o que existe são postos gerados e não pessoas empregadas: uma pessoa só com vários trabalhos, recebendo um subsalário, apresentando um saldo positivo na geração de empregos, o que é vendido com melhor roupagem para a mídia.
À parte o que já foi apresentado, Francisco explica que diante desse cenário há também o receio dos trabalhadores: o negociado vem antes do legislado. Com isso, existe o desmonte gradual dos sindicatos, intimidando a classe proletária diante das irregularidades no trabalho - o que só piora com o contexto do desemprego no país.
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| VITOR TEIXEIRA |
Essa precarização inerente à desregulamentação traz consigo a “pseudoliberdade” aos empregados. Para o economista, o discurso empoderado sobre empreendedorismo foi importante na primeira fase de implementação desse tipo de trabalho. Entretanto, o principal fator foi a crescente desindustrialização da economia nos últimos anos – desde 2014. Para ele, a ausência de opções de trabalho foi o que catalisou a uberização. Essa falta de “catálogo” é, segundo Francisco, fruto dessa economia desindustrializada: “a nossa proporção industrial em relação ao PIB hoje é muito próxima da época regida pelo advogado Café Filho, ou seja, ainda na regência do Getúlio Vargas. E Isso é um fator relevante para entender o nível de desemprego no Brasil, que gira em torno de dois dígitos, o que faz do trabalho informal a única opção”.
Por fim, ele conclui que o Uber não é a solução mais viável, mas se torna um “vagalume no escuro para os desempregados. Diante da potencialidade de precarização, muitos jovens adentram nesse mercado para complementação de renda das famílias. Esse processo, segundo ele, era bem observado algumas décadas atrás, nas famílias de agricultores no nordeste do Brasil.
“O mais incrível é que independe da formação de nível intelectual. Hoje, por exemplo, é muito comum em São Paulo você pegar um Uber engenheiro”
Em suma, a tecnologia agregada à precarização do trabalho é um dos males do novo século. Se Chico Buarque escrevesse a letra da música Construção hoje, muito provavelmente não existiriam alterações, talvez o compositor apenas citasse o entregador do iFood em mais uma jornada de trabalho, correndo para bater a meta do dia, ou melhor, correndo para o fundo do poço, sem nenhuma outra alternativa.
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| Foto: Arquimedes Santos |
Presidente,
Venho informar-lhe sobre algo que me machuca, mas não só a mim, como também meus amigos: estamos no limbo e precisamos de apoio. Mas sei que nada virá de você para nos ajudar, afinal o que vossa santidade sabe sobre arte e cultura? Mas antes d’eu terminar, não me ofenda e nem pense que quero fazer parte da mamata. Deus me livre ser político.Acontece, que estamos deixados de lado, artista não é mais valorizado e o incentivo da cultura nas escolas é tão desmerecido quanto seu cargo.
Só queria pedir em nome de nós, que não haja um Ministério da Censura. É século XXI e você quer voltar duas casas - me recuso a acreditar que a luta será travada com quem deveria nos apoiar. Mas tudo bem, se a história for escrita de novo, nos recusamos a fracassar: operários, presentes; mulheres, presentes; comunidade LGBTQI+ presente, e gente como a gente, presente. Artista é aquele que é exímio no desempenho do seu ofício - então fica o convite àqueles que assim o são. E caro Jair, ainda há mais indignação...
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| FOTO TIROTE BLOG |
O pouco investimento em arte é para sustentar a corrupção, que em boa parte avassala a nossa nação. Mas a culpa não é minha, cumpro com meus impostos, culpe seu governo e seu ministro nazista responsável pela cultura, que almeja o sincretismo do eixo e do grande Brasil, que ama agora, mais do que nunca, a sua bandeira verde e amarela.A arte preenche e colore o lado sombrio da vida.Vida sem arte não bastaSe bastasse, não ouviria músicaSe bastasse, não iria ao cinemaSe bastasse, usaria trapoMas como não basta temos um problema.
O problema é que a arteDesvalorizada por um sistemaEstá matando nossos artistasAtravés do esquecimento,Afundando em solidãoNos restando o eterno lamento.
A identidade de nosso país está em nossa rica diversidade. Do preto ao mulato, do indígena ao afro, sendo periférico ou morando em grandes prédios. Dos bares boêmios da grande São Paulo aos botecos raízes do interior do Nordeste, orando em xote a vida do sertanejo, que é, antes de tudo, um forte. Pois não cuspa em nossa cultura, não desvalorize o funk, ouça a letra e salve a favela, mas dessa vez sem aplaudir bala perdida que leva aos céus homens e mulheres – Salve Marielle!
Imagine aí, se o Auto da Compadecida nunca fosse lido
Imagine só, se Chico Buarque fosse proibido
Imagine então, um país sem Aquarela
Só verde e amarelo na tela
E o fim? Nem há tanto o que falar:
Extermínio da cultura popular
E O FILTRO AO CINEMA NACIONAL? Nome bonito para descrever censura. Mas acho que o senhor não se tocou que "fechar a Ancine ou privatizá-la" não irá mudar o fato que com Bruna Surfistinha foram 500 empregos gerados, e 2 milhões arrecadados para contribuir com o Estado. Olha Presidente, a vida não é só enaltecer ditador vestido de farda, vai além disso. Tu contempla a tortura em rede nacional, mas a gente não pode ver a Bruna porque vai contra os valores cristãos da família conservadora? Hipocrisia total!
O NOME DE ARTISTA É ARTRISTE,SEM CHANCES PRA QUEM PENSAVA EM ALEGRIAEU CHORO, TU CHORAS, ELE CHORAVIVA O MINISTÉRIO DA HIPOCRISIA
Cadê seu projeto que chegue a nós? Cadê o teatro? Cadê a escola? Cadê aquele livro comunista de fato cientifico? Você que era contra a ideologia política em sala de aula, agora nos empurra Olavismo goela abaixo – aliás, a Terra é redonda.
Onde tá a sua moral? Abre espaço para dizer que a igreja vai mudar esta nação e que a mulher é um objeto de submissão. Mas a cultura é forte e resiste a morte. Seu espírito nacionalista de cunho ditatorial não é páreo para o gigante cultural, construído há tempos por mulheres e homens, negros e homossexuais, feministas e militantes da educação – “ela estava certa. Viva Maria Lacerda”.
Vocês não apagarão da nossa história o que realmente somos: brasileiros. Em pouco tempo, Indignação se torna ação. Se revoltar-se também for arte, aqui estamos nós, de olhos bem abertos diante dessa realidade. Nas palavras de Suassuna: "O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso."
E na real mesmo: Viva os artistas dotados de esperança. Viva o Brasil dotado de esperança. E viva gente, gente de verdade, porque onde há verdade, há arte; onde há arte, há pluralidade e onde há pluralidade, há Brasil.
Assinado: Letícia e João.







